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segunda-feira, 14 de março de 2016

Disponível

Sempre me apeguei muito a pessoas disponíveis. As grandes paixões que tive não eram as mulheres mais belas, esculturais ou hiper inteligentes. Elas apenas estavam lá, presentes, cultivando os sorrisos da simplicidade, protagonizando o brilho em dias de tenebrosa solidão. Permitiram-se tornarem-se quem, de fato, eram, com todo o temor e tremor que isto pudesse causar. Não faziam questão de propagandear os amores; não tinham tempo para provar o improvável. A preferência pela companhia espontânea sempre prevaleceu sobre a programação cartesiana dos sentimentos e era nessa leveza de se chamar para tomar açaí e acabar num sushi desconhecido ou de ver vídeos bizarros sem sentido algum no Youtube que os dias passavam e me via enredado. 

A disponibilidade promove a intimidade, burila a cumplicidade e as boas confissões. Horas contando sua história e ouvindo o testemunho do outro, especulando sobre como seria sua vida se ela não fosse sua ou das consequências das decisões não tomadas são pequenos tijolos num castelo de substância. Gente assim anda rara, com tempo para investir, conhecer, ainda que despretensiosamente. Está tudo cheio de nada, subindo a montanha que leva ao reino dos milhares de contatos desprovidos de verdade, de imperfeições. A sensação é de estar em Second Life, onde tudo parece real, mas é manipulado, plastificado e fabricado. Até preferia que isto fosse verdade; haveria, portanto, uma chance de desconexão. Mas não é... E assim caminha a humanidade, ou seria, tropeça?
HL, 2016.

domingo, 4 de outubro de 2015

Entre vitórias e derrotas...

O processo de instrução (porque educação se recebe em casa) é um ato árduo, doloroso, espinhoso, de exaustão mental e física, mas, sobretudo, de correção. Não há acerto sem erro no caminho, de modo que tudo o que se demonstra de fácil apreensão, excessivamente lógico e simplista deve ser visto com desconfiança. De igual modo, os fracassos são os registros de que se estava tentando acertar e quem muito sucumbiu para depois ter seu auge sabe exatamente o valor da vitória. Ao contrário, quem sempre esteve acostumado a estar no Olimpo das vitórias e se defronta com as - normalíssimas - derrotas desconhece a plenitude do ato de se vencer, porque tudo que nos é caro é porque nos é raro. Assim sempre foi. Assim sempre será.

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Do grito


A votação da PEC 37 sob o véu do clamor popular, nesse momento específico, me dá muito mais arrepios temerosos do que satisfação propriamente dita. É o temor engendrado pela tradicional falta de discussão séria e da péssima cultura brasileira, infestada, de igual forma, no mundo jurídico, de ganhar tudo no grito e rápido. Esse vírus maledicente de não se conseguir discutir ideias, mas apenas pessoas, tão bem tratado na figura do homem cordial, de Sérgio Buarque de Holanda. Não se trata aqui de ser a favor ou contra tal emenda constitucional, mas de saber que a esmagadora maioria dos que contra ela praguejavam nem mesmo sabiam o significado da sigla que tanto crucificavam ou, ainda, qual o procedimento de tramitação no Congresso Nacional. 

A onda de decisão legislativa e presidencial como mecanismo de resposta rápida e merthiolate social denuncia dois pontos dignos de destaque: a) uma crise de legitimidade política indizível nos últimos vinte anos; b) um despreparo institucional e popular na gestão de conflitos e demandas reivindicatórias. A bem da verdade existem interesses, forças e arranjos por trás de cada organização ou grito liberado. Uns gritam porque sabem o que fazem; outros apenas por dispor de uma voz e nada mais. Tudo resume-se a uma micro e macrofísica do poder que, nesse momento, conta com gente de todas as castas sociais devidamente acomodadas unidas sob uma emotiva indignação que reclama uma Ordem no Congresso como elemento lógico ao lema positivista Comtiano que enobrece nossa bandeira.

A minha tristeza é: a voz que esfola a corrupção, quer a rejeição de uma PEC sem o mínimo de discussão sobre Teoria da Constituição e vocifera univocamente contra a Presidência da República é a mesma que alarga o magistral coro dos que oferecem a propina ao guarda de trânsito, exercem ilegalmente profissões, enganam, iludem, trapaceiam, mentem, denigrem, difamam, vendem ilusões e compram sonhos, roubam corações, furam filas, dão e pedem um jeitinho. É o brado dos cansados que cansam e creem, ingenuamente, que ética, respeito, probidade são valores estritos da esfera pública. Os protestos deveriam ser, antes de tudo, contra nós mesmos.

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

L'enfer c'est les autres



Determinados discursos plastificados como 'a democracia brasileira está evoluindo' ou 'escolha bem seu candidato' e 'vote com consciência', ao que me parece, soam como verdadeiras contradições com o cenário que se põe. Vejam os candidatos municipais, ad exemplum. Fico numa dúvida cruel se me ponho a cair em agigantadas crises de riso ou se me abraço com o desespero. Creem mesmo que, como diriam 
os portugueses, estamos a evoluir? A repetição dos jargões 'emprego e renda', 'saúde, segurança e educação' como se fosse uma banda tocada por desafinados músicos fanfarrões é uma repetição (des)necessária e televisionada do que o brasileiro é: um truão mazelado pela pobreza dos seus risos.

Isto para não se falar nas pretensas renovações eleitorais movidas por sobrenomes tão previsíveis quanto o trânsito islandês. A quem querem ludibriar? A você e a mim, óbvio! E o pior: conseguem. Não porque conseguem seu voto - salvo os não raros casos de aspones e jabutis eleitoreiros que precisam garantir seus cargos comi$$ionados por mais quatro anos - mas por contarem com sua convicta omissão e leniência. Sim, eles sabem da sua conformação espirituosa, cuja maior característica é transformar uma suposta superioridade cognitiva em indiferença anulatória. Arrimam-se, de igual modo, na certeza de que você apenas os apedrejará com sua homilia recheada de senso comum e com bordas de inoperância. Prendem-se à hialina convicção, alimentada por vossas insolências, de que estamos malfadados a nos quedarmos no lamaçal escravagista de mentes, que são nossos processos semi-democráticos.

Se alguém cogita que a ignorância afeta (somente) os analfabetos e é instrumento perpetuador de monarquias travestidas de processos legitimadores de representatividade tem a mesma prudência e sensatez de um galináceo que crê poder voar e correr simultaneamente. Nessa escola politiqueira somos [quase] todos alunos, no sentido mais latinista da palavra (alumni, sem luz, fadado às sombras). Preferimos o pecus ao telos, o salis à Polis, o engraçado ao dedicado. E nessa teatralidade um tanto discursal nos convencemos da ingênua frase Sartreana que o inferno são os outros, quando na verdade já ardemos no fogo impiedoso do Hades intelectual, com direito ao canudo e, em certos casos, até uma pós-graduação. Afinal, é melhor ser um néscio iludido ou desesperançado com uma titulação. É, digamos, mais chique.

E tenho dito. E assim tem sido.

Lucena Filho

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

30 de janeiro - Solitatis

Ah, a saudade! Arrebatadora, impiedosa, abstrata, que ignora as lágrimas e dores de suas vítimas, tratoriza a tranquilidade, desperta a ansiedade, euforiza o bem-estar. Atormenta poetas, apaixonados, os que distantes estão, os vivos em relação aos seus entes queridos. Desafia a própria lógica e o princípio da não-contradição na medida em que tem gosto doce e amargo, expressiva e cabisbaixa. Deixa-nos diferentes, sensíveis, alvoroçados e resignados. Como certa vez disse Bob Marley, “quando ela não cabe no coração escorre pelos olhos”.

Qual a natureza da saudade? Certamente não é de Direito Público ou Privado. Seria sentimento, mera sensação, estado ou emoção? Creio que nem mesmo os complexos cálculos do direito sucessório ou das derivadas e integrais conseguiriam solucionar tal problemática. Isto porque o tema transcende as raias do conhecimento científico. É afeto ao coração.

A título de curiosidade, a referida palavra só possui correspondente no português e idioma Galeno, tendo origem latina no radical solitas, solitatis, que significa solidão, com influência da locução salutare, isto é, saudar. Noutro giro, seria a saudação da solidão.

O termo ganhou força, sobretudo com o Descobrimento do Brasil, e era utilizado pelos marinheiros lusitanos para traduzir a solidão dos noviços em terras nacionais. Por óbvio que a saudade não surgiu apenas no período colonial. Ela é imanente à condição de ser humano e sua respectiva sociabilidade, como também ao poder de se apegar ao outro. Diria até que ela é tão antiga quanto o tempo.

Em última instância pode-se dizer que ela concretiza-se numa sensação melancólica decorrente da ausência de coisas, situações, estados, mas, especialmente, de pessoas.

O tempo não pára. Só a saudade é que faz as coisas pararem no tempo. (Mário Quintana)

domingo, 11 de setembro de 2011

G.O.S.P.E.L.

Há dias que você escreve, grita, fala, olha e gesticula. Com que finalidade? Passar uma mensagem que pulsa no seu coração e corre nas suas veias como se fosse o seu próprio sangue. Porém, há momentos que outros expressam exatamente seu pensamento e o desejo de anunciar o maior e mais sublime exemplo de amor e grandeza existente nesse universo: o Evangelho, o legado do Cristo para a humanidade.

GOSPEL, expressão inglesa para evangelho, não é um estilo de música ou conjunto de adesivos que você cola no seu carro para divulgar uma fé que, talvez, nem exista no seu coração e mente. Transcende o conceito de religião e toca cada célula da sua carcaça sem, todavia, ser superficial. Filosoficamente profundo e amorosamente simples são qualificações perfeitamente aplicáveis a um oceano de misericórdia capaz de oferecer a você uma única opção: VIDA. 

Caso você seja ateu, agnóstico ou adepto de qualquer religião, já adianto: não estou aqui para defender Abba. Ele não precisa. Só ouça uma forma diferente de se abordar o Cristianismo. Poético, profundo, intenso e direto.

Excelente semana.

Lucena Filho

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Namorismo x Solteirice

Hoje, vim aqui desabafar, permitir-me ser sincero além dos limites éticos normalmente observados pelas minhas palavras.

O assunto do dia é solteirice e namorismo (acabei de criar esse termo e já explico). Sinceramente, eu já estou extremamente cansado, irritado e envolvido pelo tédio ao responder perguntas e comentários do tipo “e a namorada?”, “está na hora de casar”, “deixe de ser exigente”, “quem muito escolhe acaba só”.

É como se houvesse um princípio universal que determinasse a impossibilidade de alguém ser/estar solteiro. Soa como se o rapaz/moça que não namora ou não vive desesperado para se unir a alguém é o ser mais anormal, assexuado e transviado do mundo. A isto denomino de namorismo. Esse é um mito que deve ser quebrado, tal qual a lenda de que todos os ateus são depravados e sem senso de moralidade.

A vida não funciona na base de silogismos sentimentais. “Pessoas normais namoram. X não namora. Logo, X não é normal”. Quando se trata de relacionamentos a discussão é muito mais fluida, maleável e digna da apreciação de outros fatores que transcendem sua carência elevada à quinta potência, medo enlouquecedor de ficar sozinho e comodidade em não ter que despejar satisfações ao público diariamente.

É perigoso, medíocre e egoísta traçar juízos de valor sobre alguém baseado simplesmente numa condição ou escolha de estar só. Não sei se você já parou para pensar, mas existem prioridades e projetos que são potencializáveis àqueles solitários (não necessariamente carentes). A liberdade, inclusive, de se fazer algumas coisas mais complicadas numa vida a dois.

Quando Deus, disse, lá em Gênesis “não é bom que o homem esteja só” é no mínimo hermeneuticamente irresponsável interpretar isto como “o homem não pode/deve ficar só”. O tom é de sugestão, conselho e cuidado dAquele conhecedor de cada célula sua e sabedor das suas necessidades. Porém, Abba não foi mesquinho - e nem poderia ser - proibindo você de desfrutar unicamente da sua própria companhia, entende?

Portanto, essa historinha de pressionar, ridicularizar, sair taxando todo solteiro de galináceo hormonal e fazer você se sentir a besta fera porque não comemora Dia dos Namorados, 1 ano de relacionamento e decidiu dedicar um tempo para cuidar de si é falsa e covarde. Nós, solteiros, episódicos ou não, compreendemos perfeitamente sua necessidade de encontrar alguém para te acompanhar nos encontros monótonos e sem assuntos aproveitáveis dos seus amigos casais (ATENÇÃO! Isto não é uma regra, por favor).

Outra coisa. Prepare-se para ser solteiro ad eternum. Se você se ama e sabe que estudou, trabalhou, guardou o amor com muito carinho, realizou sonhos e projetos, bem como tudo isso custou muito suor e sangue, é límpida e cristalina a constatação de que não será o primeiro banana com jargões e clichês "coraçãozistas" - como diria Jessier Quirino - o pole position do seu coração e participante efetivo dessa sólida e confortável realidade. Valorize-se. Seja exigente mesmo. Escolha, diga não, cuide-se e dê real importância a sua presença na vida de alguém. Afinal, quem vai ter o peso de suportar a companhia ou a alegria de compartilhá-la é você.

Se porventura alguém não se encaixar nesses padrões não há uma conseqüência lógica do seu fracasso (nem de sucesso). Isto está isento de juízos axiológicos, tais quais certo, errado, bondade, maldade, inteligência ou idiotice. Simplesmente não aconteceu e em definitivo não é o fim do seu mundo e felicidade. E isto porque é a lógica da vida. Daqui a quarenta ou cinqüenta anos, mesmo que não conheça a música Epitáfio, você vai refletir e avaliar suas conquistas, derrotas (eles integram sua existência, sabia Superman?), as (d)eficiências, dentre outras coisas. Caso não tenha encontrado uma pessoa que te completasse, aumentasse seu potencial como gente e dividisse o fardo da solidão lembre-se: você não é o pior dos seres humanos.

Fomos projetados para transferir habilidades de uma área para outra. Vejam os deficientes visuais. Possuem audição acurada, tato sensível e noção de espaço muito maior do que os pretensos “normais”. Trazendo a comparação para nosso assunto, se você não se deu bem na campanha amorosa pode ter certeza que suas habilidades foram (ou poderiam) ter sido transportadas para setores como sociabilidade, conhecimento, capacidade de fazer e criar aquilo que poucos teriam tempo e disposição para enfrentar, etc.

Mas não sejamos também unifocais. Aos solteiros, parem com essa teratológica babaquice de achar que seu status amoroso é a cereja desejada do bolo porque ELE NÃO É.

Você e eu somos seres sociais e que por natureza tendemos a nos relacionar por afinidade e gostar de estar perto daqueles outros humanos capazes de nos fazer sentir vivos.

Logo, meu raro solteiro, poupe o mundo das suas frustrações divulgadas nas redes sociais e dessa falsa sensação de liberdade (libertinagem?) propalada sob o signo de “estou solteiro e estou feliz”. Mentira sua e envergonhe-se disso! Pare de achincalhar quem namora e está satisfeito. Ah, porque essa é a primeira reação do sujeito que não sabe dançar: ele diz logo que odeia o forró.

Namorar é bom e válido sim. Deixa de ser pueril e dá um tempo nas suas fuziladas contra os apaixonados. Vai dizer que você não gostaria de ter uma pessoa bem resolvida, gente boa pra pegar aquele cinema na sexta à noite, após uma semana destrutiva, e no outro dia você saber que ama não apenas os beijos dela, mas essencialmente a capacidade de te fazer sentir em paz?

E, para finalizar, esqueçam textinhos do tipo

"Mulheres são como maçãs em árvores. As melhores estão no topo.
Os homens não querem alcançar essas boas, porque eles têm medo de cair e se machucar. Preferem pegar as maçãs podres que ficam no chão, que não são boas como as do topo, mas são fáceis de se conseguir.

Assim as maçãs no topo pensam que algo está errado com elas, quando na verdade, eles estão errados... Elas têm que esperar um pouco para o homem certo chegar, aquele que é valente o bastante para escalar até o topo da árvore."

Para começar, você nem mesmo sabe se quem escreveu foi Machado de Assis, Pablo Neruda ou algum fabricante de suco de maçã. Daí, vai com todo gosto, copia e cola no seu Orkut, Facebook, Msn e Twitter como uma pseudo-satisfação do seu estado de impotência em administrar as próprias dores e traumas.

Você não precisa se justificar para a comunidade virtual seu estado atual, caríssimo. Ninguém está no topo ou embaixo quando se trata de homens e mulheres. O mundo não é uma árvore e basta dessa guerra dos sexos.

Se você não está namorando esteja certo(a) de que não é porque você é a maçã, pêra, jaca ou pitomba do topo da árvore. Como já foi afirmado, simplesmente não aconteceu ainda e, há uma possibilidade (ainda que remota a depender do caso), de não se concretizar, certo? Homens não são culpados pelo excesso de mulheres solteiras, muito menos as mulheres não são esse pedestal de bondade e especiaria sentimental.

Sem maniqueísmos e guerrilhas desnecessárias. Descomplicando, desrotulando e elegendo o respeito e decisão individual como o centro de uma sociedade pluralista calcada no livre arbítrio. O resto é mal de recalcado.

Seja feliz. Se acompanhado, ótimo. Se não, sobreviveremos e faremos grandes proezas também.

Abraço

Lucena Filho

terça-feira, 8 de março de 2011

Perdão e parabéns, meninas!

Independente de qual cultura ou religião sejamos integrantes há um consenso universal: nós, homens, somos seres sem graça, desajeitados, perdidos e insípidos sem a doce presença da mulher. Há tanta perfeição nessa completude que o mais afeminado dos homens nunca saberá, ainda que em vão tente, a singularidade e dádiva da natureza feminina.

A mulher - criação rara divina - é tão sublime e aparentemente ameaçadora para a estabilidade da segurança dos homens que a tacanha da nossa mediocridade ainda insiste em podar-lhe o direito natural de ser tratada com dignidade, ternura e igualdade. Perdoem-nos por tamanho desafeto e grosseria. Há pavor na alma daqueles que assim agem; são amedrontados pela incapacidade de admirar os especiais e vívidos detalhes diferenciais da vossa existência. Estão invadidos pelo terror de serem dominados pela beleza e sensibilidade tão presentes nos olhos dos seus opostos. Des-CULPEM tais ignóbeis; são despreparados para o amor, a vida e desinformados do fato que Deus tem representantes mortais com o poder de aliviar-nos a dor da caminhada diária: vocês.

O merecimento que emana da figura das mulheres não se limita aos salários isonômicos, proteção contra a violência, discriminação e lançamento gratuito na sarjeta do machismo. Transcende nossa capacidade de retidão. Delas brota o incrível dom de gerar a vida e hospedá-la no ventre e coração. Um dia apenas para agraciá-las com homenagens é uma demonstração irrisória da nossa gratidão pela paciência, cuidado e carinho.

Sintam-se abraçadas e felicitadas, em especial aquelas desconhecidas, oprimidas, violentadas, trancafiadas por véus, burcas, mentiras, socos e estupros. Sincero o pensamento de Henry François Becque quando disse certa vez que há de tudo um pouco nas lágrimas das mulheres.

Viva as iranianas, cambojanas, brasileiras, chinesas, sudanesas, nordestinas! Viva a feminilidade! Viva as mulheres! 

Parabéns!

Lucena Filho

"Pode-se graduar a civilização de um povo pela atenção, decência e consideração com que as mulheres são educadas, tratadas e protegidas" (Marquês de Maricá)

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Satisfações

1. Aos seres desprovidos de semancol que ainda insistem: se eu receber um email que tenha "Fwd" no título, a tecla delete será usada sem ressalvas.

2. Fim de ano chegando. Façamos de conta que está tudo ótimo.

3. Meu tempo está resumido a dois elementos: mandados e Normas Regulamentadoras do Ministério do Trabalho e Emprego. Espero que dê certo.

4. Aécio Neves: perdeu playboy! Rá!

5. Brasília: uma Pyongyang com carros e um panetone de R$50.000,00.

6. Quem estuda em escola pública desde cedo sabe que Papai Noel não existe.

7. Fico imaginando como será dar os 7 pulinhos supersticiosos nas pequenas ondas tsunâmicas da Ilha de Sumatra.

8. Como diz o filósofo "pra que juntar dinheiro se não fui eu quem espalhei?"

9. Dia 28 é aniversário do Impressões e Expressões: 01 ano!

10. Resposta de uma executada falida pra mim: "Você nunca vai ser nada na vida, seu fracassado". Estou chorando até agora. Acho que vou pedir 15 dias de licença depressão. Humpf!

Abraços saudosos

Lucena Filho

PS: O sistema é deficiente. Sou especialista!

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Da inspiração



Lá pelas 00:00h estava eu de bobeira no MSN, ao som de 'Everything' (Lifehouse), quando mencionei para uma velha amiga que precisava atualizar este espaço, mas a preguiça não deixava. Ela comentou: “se eu tivesse sua inspiração...”. Já não é a primeira vez que me perguntam ou falam do assunto. Particularmente, não há nenhum ritual. Os grandes escritores devem lá ter os seus e isso me desperta a curiosidade. Eu só sento, coloco Chris Martin pra cantar e ataco o teclado. O lastro?

A inspiração vem e vai como um ladrão na noite. Surge da inquietante sensação pontiaguda no estômago; do ditado ‘ostra feliz não faz pérola’; dos dias apressados, chuvosos; do silêncio; da falência múltipla dos sentimentos; do coma moral sem UTI para tratá-lo; das recordações (in)apropriadamente arquivadas; das lágrimas derramadas internamente; das decepções, alegrias, euforias; do fogo amigo; das mutilações espirituais; da incompreensão; da observação resignada de feições caídas; dos amores omissos, paixões relegadas e amizades asfixiadas; dos conceitos fragmentados; das cicatrizes insistentes em romper; dos sonhos desconexos; da distância; do odor exalado pelas fétidas aparências; pelo teatro nada mágico de papéis invertidos e atores amadores que é a existência; da dolorosa restrição em entender a morte e seu eco tenebroso; dos pingos de sangue que banham o quadro branco da minha santidade; do aspirador; de tudo que inspire a dor; do inspirador!”

Lucena Filho

terça-feira, 5 de maio de 2009

O Evangelho Maltrapilho

Deveria ter feito esta postagem há uns quinze dias, mas fiquei digerindo as lições aprendidas para compartilhar com os prezados somente nesta data. Li um livro (e recomendo sem reservas) chamado “O Evangelho Maltrapilho”, do autor Brennan Manning, teólogo e filósofo norte-americano, e confesso ser essa uma das melhores e mais impactantes leituras já feitas por este que vos escreve. Manning, de forma magistral e deveras simples, te desmonta e monta em poucas páginas, desafiando nossos conceitos e paradigmas à respeito do evangelho da graça e de nossa dificuldade em aceitá-lo em face do nosso legalismo e religiosidade exacerbada.

E é justamente acerca deste divino favor imerecido que trata a obra. Nós cristãos (pós)-modernos temos uma dificuldade avantajada em aceitar o amor incondicional de Abba; um amor independente da nossa bondade ou malignidade e fundamentado na simples razão de que Deus nos quer exatamente como somos, cheios de imperfeições, medos, orgulho e pecados de diversas naturezas. No fim das contas, o fator determinante de uma existência digna e aprazível é não só aceitar, todavia, de igual maneira, abraçar o inexplicável amor de alguém tão bondoso, imaculado, paciente e cuidadoso com sujeitos moralmente pútridos, mentirosos, cheios de justiça própria e frágeis: eu e você. Todavia, é bom lembrar que, apesar de nos amar como somos, Ele se recusa a nos deixar como estamos.

No decorrer do texto, o autor demonstra o seguinte: por mais que tentemos, nada implicará um amor maior ou menor por parte do Pai porque Ele não tem filhos prediletos. A realidade é que os padrões impostos (até por nós mesmos) como ideais para uma vida cristã sadia são tão elevados e pesados que nunca chegaremos lá. As pessoas e instituições estão sempre nos cobrando resultados, expectativas, santidade radical, números, enfim, que sejamos superhomens, quando na verdade somos falhos, pecadores, pessoas de joelhos fracos e pés sujo de barro da áspera caminhada.

O resultado? Temos tantas regras a seguir e níveis a alcançar que a latente e cruel verdade em não conseguirmos só prospera a frustração, martírio e mutilação da alma. Temos sempre a sensação tensa para com Cristo. Se estamos bem, nos sentimos mal porque algo ruim está por vir; se estamos mal, a dor da culpa nos torna seres carcomidos pela angústia gerada. O que fazer? Aceitar uma realidade pouco pregada no meio evangélico, católico e afins: o perdão já está disponível para nós antes mesmo de nos arrependermos. É chocante para uma primeira impressão, mas essa é a verdade libertadora. Antes mesmo de irmos até Deus, desde o sacrifício do Calvário, a desculpa (desculpar – retirar a culpa) divina é a garantia de nossa cura. Incrível, não?

Outro aspecto interessante do livro é como ele coloca os efeitos da graça. Quando entendemos e experimentamos o amor de Deus na sua mais profunda essência, há uma transformação radical no coração humano. A partir de agora, buscamos andar em integridade moral e não pecar não porque nos seja exigido, mas como um mínimo de consciência, reconhecimento e gratidão por um cuidado, compreensão e compaixão dispensadas full-time. A experiência da graça é tão poderosa que nos permite passá-la adiante. Isto não se dá de forma extraordinária, mas sendo misericordioso e amável com seu irmão quando ele mais precisa – no erro; tratando as pessoas não como elas merecem, mas do ponto de vista do olhar de Deus sobre nós. Difícil? Sim, se tentarmos com nossa autosuficiência. Prazeroso quando se deixa ser afetado e cambiado pelo transformação interna advinda desse amor absurdo que educadamente nos bate a porta do coração dia após dia.

O Apóstolo Paulo disse: “Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três, porém o maior destes é o amor” (1 Coríntios 13:13).

No centro desse turbilhão de fracassos, perdão, pecados, amor, atitudes maltrapilhas é que, embora tendo a certeza da nossa condição de faltosos por natureza, somos alvos de uma graça restauradora capaz de nos fazer arregimentar forças inexistentes, levantar, limpar a poeira e seguir adiante.

Termino a postagem com algumas palavras da introdução do livro e depois um curto vídeo do próprio autor.

LUCENA FILHO, o maltrapilho de Abba.

"O evangelho maltrapilho foi escrito com um público leitor específico em mente.

Este livro não é para os superespirituais.

Não é para os cristãos musculosos que têm Benny Hinn como herói, e não a Jesus.

Não é para acadêmicos que aprisionam Jesus na torre de marfim da exegese.

Não é para gente barulhenta e bonachona que manipula o cristianismo a ponto de torná-lo um simples apelo ao emocionalismo.

Não é para os místicos de capuz que querem mágica na sua religião.

Não é para os cristãos "aleluia", que vivem apenas no alto da montanha e nunca visitaram o vale da desolação.

Não é para os destemidos que nunca derramaram lágrimas.

Não é para os zelotes ardentes que se gabam com o jovem rico dos Evangelhos: "Guardo todos esses mandamentos desde a minha juventude".

Não é para os complacentes, que ostentam sobre os ombros um sacolão de honras, diplomas e boas obras, crendo que efetivamente chegaram lá.

Não é para os legalistas, que preferem entregar o controle da alma a regras a viver em união com Jesus. O evangelho maltrapilho foi escrito para os dilapidados, os derrotados e os exauridos.

Ele é para os sobrecarregados que vivem ainda mudando o peso da mala pesada de uma mão para a outra.

É para os vacilantes e de joelhos fracos, que sabem que não se bastam de forma alguma e são orgulhosos demais para aceitar a esmola da graça admirável.

É para os discípulos inconsistentes e instáveis cuja azeitona vive caindo para fora da empada.

É para homens e mulheres pobres, fracos e pecaminosos com falhas hereditárias e talentos limitados. É para os vasos de barro que arrastam pés de argila.

É para os recurvados e contundidos que sentem que sua vida é um grave desapontamento para Deus.

É para gente inteligente que sabe que é estúpida, e para discípulos honestos que admitem que são canalhas.

O evangelho maltrapilho é um livro que escrevi para mim mesmo e para quem quer que tenha ficado cansado e desencorajado ao longo do Caminho"

(Evangelho Maltrapilho, Brennan Manning)

domingo, 15 de março de 2009

Aborrecimento

Auto-explicativo

"Essa dificuldade de existir que se chama aborrecimento" (Maine de Biran)

LUCENA FILHO

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Feriado

Caros amigos,

Em face do feriado prolongado, retornaremos com as postagens após o dia 26 deste mês. Vou para a capital paraibana aproveitar o sol do estado que me pariu e descansar por alguns dias. Para quem fica em casa, boa sorte e meus sentimentos. Vou dar boas risadas e passear bastante por vocês.

Até

LUCENA FILHO, H. L. de.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

O cavalo do Daniel

Daniel se identificou com cavalo em "O Menino da Porteira"

DAYANNE MIKEVIS
da Folha Online (http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u501733.shtml)

O cantor Daniel emagreceu quase sete quilos em apenas um mês e "sofreu" com seu treinamento para atuar em "O Menino da Porteira", o primeiro drama de sua carreira.

Nesse processo, Daniel recebeu a companhia de Scott. "Eu olho para o cavalo e me vejo nele", afirmou o cantor ao falar sobre o animal com que contracena no filme durante entrevista coletiva nesta terça-feira.

Scott foi escolhido para ser o cavalo do personagem Diogo, um boiadeiro vivido na primeira versão do filme, de 1976, por Sérgio Reis.

Comentário: Eu também olho para o cavalo e te vejo nele, Daniel. Que coincidência!

LUCENA FILHO

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Salvem o planeta! Minhocas e árvores primeiro!!!

Há três espécies de pessoas que me tentam a paciência: religioso alienado, ambientalista chato e falido metido a rico. Para a segunda categoria respondo com esse vídeo de George Carlin, um dos pioneiros no stand-up comedy com crítica social nos EUA e falecido ano passado aos 71 anos. Não concordo com toda as idéias de Carlin, especialmente quanto ao ateísmo violento dele, mas o cara era muito bom.

Carlin inspirou toda uma geração de novos humoristas, em especial Lewis Black. Chegou a ser preso pelo conteúdo da seu mais famoso texto "Sete Palavras que não se podem dizer em Televisão", o qual foi a palco na década de 70 ou 80, salvo engano.

Enfim... Carlin sabia zombar do American Way of life de maneira ácida e divertida.

Boa semana.

LUCENA FILHO

domingo, 18 de janeiro de 2009

Boa semana

Porque até na igreja tem presepada, marmota, pantim, mugangagem, etc... Boa semana a todos com muita endorfina

domingo, 4 de janeiro de 2009

Pimenta


Momento curiosidade e utilidade pública. Não sei se alguém aí gosta, mas gosto muito de pimentas. Vi essas informações no site do Wikipédia e achei interessante.

LUCENA FILHO, H. L. de.

"Uma das principais características culturais das tribos indígenas que habitavam as terras brasileiras na época do descobrimento era o cultivo de pimentas. Após o descobrimento, as sementes e frutos de pimentas passaram a ser cada vez mais cultivados, disseminado entre vários povos, utilizadas de diversas formas.

A 'Capital Nacional da Pimenta', como é conhecido o município de Turuçu, RS [1], começou a cultivá-la no final do século XIX. Tal informação pode ser comprovada pelos depoimentos dos produtores da região, muitos deles já de idade elevada, tendo passado dos sessenta anos de idade, que relembram a cultura do cultivo, passada a eles por seus pais.

A pimenta faz bem à saúde e seu consumo é essencial para quem tem enxaqueca. A substância química que dá à pimenta o seu caráter ardido é exatamente aquela que possui as propriedades benéficas à saúde. Elas provocam a liberação de endorfinas - verdadeiras morfinas internas, analgésicos naturais extremamente potentes que o nosso cérebro fabrica! E quanto mais endorfina, menos dor e menos enxaqueca. E tem mais: as substâncias picantes das pimentas melhoram a digestão, estimulando as secreções do estômago. Possuem efeito antiflatulência. Estimulam a circulação no estômago, favorecendo a cicatrização de feridas (úlceras), desde que, é claro, outras medidas alimentares e de estilo de vida sejam aplicadas conjuntamente. Existem estudos que demonstram que a pimenta é um potente antioxidante (antienvelhecimento) e antiinflamatório. A pimenta possui até propriedades anticâncer. [texto: Dr. Alexandre Feldman]".

Obtido em "http://pt.wikipedia.org/wiki/Pimenta"

sábado, 27 de dezembro de 2008

Bem-vindos


Sejam bem-vindos ao meu espaço que não é my space. Do alto do meu consagrado anonimato, inauguro hoje o blog “Expressões e Impressões” - um espaço democrático para discussão de temas variados (desde conflitos internos da personalidade humana até a desnecessidade da contratação de Ronaldo pelo timão). Publicarei alguns escritos já enviados para os amigos e outros inéditos surgirão. À medida do possível sempre haverá uma imagem e música associada às postagens, o que justifica o fato de nossas percepções serem provenientes do que lemos, vemos e ouvimos. Espero que gostem, comentem, critiquem, sugiram, repassem e aproveitem. Alea Jacta Est!

LUCENA FILHO