quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Dolores



Procura-se um analgésico para a alma
Dispensados estão os genéricos
Somente os de efeito imediato devem ser ingeridos

Onde estão vós baratos mercadores farmacológicos do coração?
Apareçam! Saiam das sombras miseráveis do estelionato
Digam-me e dêem-me algo substancial
Cansei dos placebos, dos fitoterápicos, das receitinhas lendárias

Pensam vocês que com suas ideologias doloridas, dolorosas,
Dormentes, dolosas, dúbias, diuturnas hão de me ludibriar?
Invoquem Nietzsche, Kafka, Freud, David.
Não me convencerão
Insistam, persistam, resistam!
Estéreis serão vossos intentos, raça de víboras!

E nesse vazio cheio de nada diluo o fim que nunca começou
Na esperança de que a dor
De continuar o descontínuo um dia cesse,
Ainda que necessite de overdose
De amor, por favor!

Lucena Filho

6 comentários:

Angelo A. P. Nascimento disse...

Ao mesmo tempo, forte e sublime!
Gosto da energia das palavras e da sinceridade dos sentimentos.
Abração

Carla Luna disse...

Expressar é preciso.
Impressionar, nem sempre!

Mas..
escrever, e me deixar ENCANTADA com o q vc escreve será NECESSÁRIO sempre !!!

Repito: Não pára de se expressar...

Isso não tem preço!
***
Pra todas as outras coisas existe MASTERCARD!
rs
***

Um beijo querido!

Barbara disse...

So deep..

^^

Geórgia disse...

É perfeito, encantador, arrepiante!
Tenho certeza de que perderei a conta de quantas vezes lerei.

Sou sua fã, amigão, cada dia mais.

Beijão e parabéns.

Marcio Nicolau disse...

Tua escrita me interessou. Estou seguindo você.

Raquel Rodrigues disse...

Acho que já li umas 5 vezes. Muito lindo, poesias são para poucos.Parabéns...