terça-feira, 12 de setembro de 2017

Akro

Tinha tons típicos
Hospedava um amor quase cívico
Apreciava falar rindo
Impressionava pelo amor felino
Sem forçar, deixava respirar

Fez o que podia, dia a dia
Era uma fera ferida
Relutava em se entregar
Nas linhas de sua história
Amores, tristezas, euforia, vitórias
Não sabia não ser, recusava ceder
Deixou bordões
Emitiu opiniões
Sobrou o nó, só, que dor, que dó!

(H.L, 2017)

terça-feira, 4 de julho de 2017

(In)verso

A chuva do meio-dia
Estancou a agonia 
Pressentia calado 
Sensações do passado
Os olhos sentiam sabor
A boca captava odor
Aos ouvidos chegava o frio
Seu nariz, só arrepio!
As mãos enxergavam verdades
Incompleto, inquieto, repleto de metades 
Percebeu que, às vezes, tudo sai do lugar
Para o simples se poder valorizar!

H.L, 2017

segunda-feira, 22 de maio de 2017

Que...

Que a culpa não ocupe 
A mente dos dez culpados
Pela graça, de graça
Das desgraças foram desculpados
Que o afeto afete
O coração dos afetados
Que se sorria
Só ria!
Que você se derrame
Se (não) der, ame!
A mil, a cem, sempre, 
Ah, sim! Assim!

(H.L, 2017)

quarta-feira, 19 de abril de 2017

Amicus

Seu corpo a traía
A boca dizia não
O olhar a desmentia
Insistia em afirmar o desapego
Por puro desespero
As pernas impacientes
Denunciavam um disfarce reluzente
Perdera-se no outro, encontrou-se consigo
Mas não era só amigo?
É que nunca beijara um inimigo!

H.L, 2017

sábado, 18 de fevereiro de 2017

Os olhos


Aquele olhar desconectado
Parecia desalmado
Perdia-se na linha do além 
Reclamava um resgate
Alguém que fizesse bem
Exausto do atalho visual
Surpreendeu-se com a alegria banal
Sentiu-se importante 
Repousou, ali, seu semblante.

(H.L, 2017)