segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Até 2010

Meus amigos,

Certo dia alguém me perguntou o porquê de eu ter um blog. Prontamente, respondi-lhe que ao mesmo tempo em que esse espaço era uma válvula de escape também representava um registro de memórias a serem resgatadas por qualquer interessado. No meu caso, escrever é preciso.

Um ano atrás eu iniciei a aventura neste mundo sinistro, curioso e desafiador da blogosfera. Gostei. Hoje, diante do ano que se passou com todas as suas alegrias e percalços e que vocês acompanharam de perto, posto aqui só para agradecer a gentileza das visitas e opiniões externadas, ainda que discordantes. Sei que alguns leem e não comentam. Sem problema. São bem-vindos do mesmo jeito.

Muito obrigado pelos 353 comentários e visitas de 7250 visitas provenientes do Brasil, Portugal, EUA, Japão, Noruega, Canadá, Itália, Suíça, Australia, França, Espanha, Hungria, Chile, Inglaterra, Arábia Saudita, Tailândia, Latvia, Moçambique, Indonesia, Argentina, Egito, Finlândia e Rússia.

Aos meus raros o meu carinho e desejo de um 2010 de paz e sucesso. Até la!

Lucena Filho

PS: Recomendo que vocês conheçam uma banda islandesa chamada Sigur Rós. Vale a pena.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Satisfações

1. Aos seres desprovidos de simancol que ainda insistem: se eu receber um email que tenha "Fwd" no título, a tecla delete será usada sem ressalvas.

2. Fim de ano chegando. Façamos de conta que está tudo ótimo.

3. Meu tempo está resumido a dois elementos: mandados e Normas Regulamentadoras do Ministério do Trabalho e Emprego. Espero que dê certo.

4. Aécio Neves: perdeu playboy! Rá!

5. Brasília: uma Pyongyang com carros e um panetone de R$50.000,00.

6. Quem estuda em escola pública desde cedo sabe que Papai Noel não existe.

7. Fico imaginando como será dar os 7 pulinhos supersticiosos nas pequenas ondas tsunâmicas da Ilha de Sumatra.

8. Como diz o filósofo "pra que juntar dinheiro se não fui eu quem espalhei?"

9. Dia 28 é aniversário do Impressões e Expressões: 01 ano!

10. Resposta de uma executada falida pra mim: "Você nunca vai ser nada na vida, seu fracassado". Estou chorando até agora. Acho que vou pedir 15 dias de licença depressão. Humpf!

Abraços saudosos

Lucena Filho

PS: O sistema é deficiente. Sou especialista!

domingo, 22 de novembro de 2009

Ego

O dia era esperado.
O público atento aos atos vindouros silente permanecia
A juíza, inflexível e dogmática,
Aproximou-se e proferiu a declaração de culpa:
Egoísta, petulante, bitolado, arrogante, dissimulado,
Orgulhoso, intolerante, exigente,
(Ir) racional, medíocre, insensível, crítico.

A pena era de morte e imediata.

O algoz manteve-se em pé.
Inerte, sério, olhar linear e com punhos cerrados;
O condenado, ah o condenado!
Ajoelhado, trêmulo, impotente e sem vida antes de partir.
Era o início do seu fim
O fim do que nunca começara.

Encarou a morte calado
Esta, quedou-se sentada,
Despreocupada e sorridente,
Que num tom doce sussurou-lhe:
Hoje é a morte, a morte do teu ego.

LUCENA FILHO

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Chuva - Rob Bell

Meus amigos, deixo vocês hoje com essa mensagem bem interessanto do Rob Bell. Trata acerca de um dos temas mais profundos acerca da vida cristã: a caminhada diária.

Andar é necessariamente deixar algo para trás e nem sempre é uma tarefa fácil. Por vezes, só pensamos no sofrimento do caminho, mas não em como os espinhos, tempestades podem gerar experiências permanentes. É bem verdade que num mundo de ceticismo e relativização de (quase) tudo as agruras parecem tomar proporções maiores do que elas merecem. Parar um pouco e pensar a respeito é confortante. É muito bom ter vocês por aqui.

No Eterno

Lucena Filho



domingo, 18 de outubro de 2009

Tome cada um a sua cruz...

“Se alguém disser ser meu discípulo, tome a sua cruz e siga-me” (Marcos 8:34)

Esse texto ficou me martelando o dia todo hoje. E lembrei dele por razões desconhecidas. Mas enquanto o sinal estava no vermelho eu fiquei desdobrando essas palavras proferidas por Jesus Cristo.

Imagino que os problemas dos indivíduos no que toca à compreensão da dor da existência não eram, no ano zero da era cristão, muito diferentes dos atuais. O homem sempre teve dificuldade em aceitar que sua passagem pela Terra é efêmera e árdua. Ninguém vive de forma eternamente abastarda, desproblematizada e imune aos percalços, embora a ciência busque a todo custo minimizar os impactos dos males algozes da humanidade. Restar intacto aos 86.400 segundos diários é um verdadeiro desafio.

Eu gostaria de me restringir não à alegação de sermos ou não discípulos e de seguir a Jesus. Esta é uma questão de fé, passível de uma discussão posterior. A questão hoje é o ‘tome sua cruz’.

A cruz é um mal necessário. Umas mais pesadas; outras leves. Algumas de tão enfadonhas parecem feitas de jacarandá. E sem esquecer os que levam cruz até no nome. Ela representa a dor na ponta do estômago que se tem ao abrir os olhos, as palavras lançadas e não desejadas, a família distante, o pai alcoólatra, o desemprego que bateu à porta, o casamento esfacelado e que emporcalhou suas esperanças de felicidade, as decepções repetidas, os amores desalmados, enfim, qualquer coisa que lhe seja desconfortável, represente peso e difícil de se livrar.

Há os que só tomam a cruz, mas se negam a carregá-la. O texto mostra a ação de seguir (= caminhar, sair do lugar onde se está) e dá a idéia de imperatividade do movimento. Não como tomar o fardo e parar. Levar a cruz significa lidar com as dores recorrentes e delas não ser refém. Quem somente toma a cruz, sente o peso concentrado em suas costas de forma mais intensa. E a força na hipótese aventada é representada pressão exercida sobre um corpo parado. Os recalcitrantes em carregar suas dores estacionam e sentem o fardo da inércia. Aqueles que carregam lentamente distribuem a compressão da angústia por cada poro do corpo.

Eu vejo, não raramente, pessoas reclamando que a cruz está por demais cruel. Há criaturas que não bastassem terem que lidar com as intempéries de percurso, acham pouco e tentam levar a cruz do outro. Falo porque já fui acometido de tamanha ousadia. Se prestarmos atenção, a ordem é para cada um levar a SUA cruz. Se o pronome possessivo foi colocado nas palavras bíblicas é porque certamente alguém estava tentando tomar a cruz do outro ou tenderia a fazer isto. Eu entendo que a grama do vizinho sempre parece mais verde, a família do outro nunca aparentará ter os problemas da sua e o sucesso, aos seus olhos, será teratológico se comparado ao seu.

O que tem de gente querendo se travestir dos comportamentos, modelos e até problemas alheios é mais numeroso que aluno meia boca comprando diploma de supletivo. Quando se procura tomar a cruz do próximo, certamente não suportaremos carregar nem a que nos é devida nem a possivelmente objeto de usurpação.

Carregar os perrengues de outrem é querer ser o pai, mãe, braços, pernas, cabeça, namorado (a), amigo (a), psicólogo (a), orientador (a), discipulador (a) e conselheiro (a) quando na verdade você só deveria ser o companheiro. É mais ou menos abraçar o estresse de ser empregador enquanto você foi contratado pra ser apenas o empregado. É arrastar alguém sobre os seus ombros por tempo indeterminado, sabendo que uma hora ou outra você vai empenar irreversivelmente e não há fisioterapia moral que resolva. É levar um peso maior do que sua coluna foi projetada para suportar.

Entreguemos os pesos desnecessários. Já temos a força da gravidade para dificultar a caminhada.

Boa noite

Lucena Filho