segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Esperança

Não penses que te olvidei

Apenas me afastei para não sangrar de tristeza

E cair numa hemorragia cardiolacrimejante

A ausência de notícias seca a garganta, enrijece a face e transtorna o olhar


A indignação de pagar pelas inconsequências deles

E ser vítima de uma muralha de indiferença que construístes

É incomparável ao teratológico esforço travado nesta guerra diária

Que é defender-se dos flancos da tua imagem


As sombras das lembranças, assombram, sim!

Os gritos das roucas vozes aos meus ouvidos

Insistem em afirmar: é impossível!


Mantenho-me indeciso entre a ira e a frustração

Caminhando na trilha da compaixão 

No aguardo de conhecer o fim deste trecho

Equilibrando-me na ponte das vontades e ânsias

Sob os auspícios do medo de perder-me nessa histeria mental


Sei exatamente o que precisas,

Porém, aprisionado fico nas amarras das tuas efêmeras vontades

Aqui, resignado, prossigo, esperando com confiança

Porque, no final, de nada vale viver se não houver Esperança.


Lucena Filho

5 comentários:

Ilma Cândido disse...

Fico me perguntando se a esperança ajuda ou atrapalha... Acredito que às vezes ela impede que encerremos ciclos, fechemos portas, terminemos capítulos, usando aqui as palavras de Fernando Pessoa. Ao mesmo tempo, nos alimentamos dela pra não ˜Deixar ir embora. Soltar. Desprender-se". E agora, José? E agora, Lucena Filho?

Analine Ramos disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Anônimo disse...

Genuíno e tocante. Assim como tudo que você escreve quando SE PERMITE...
Fica a esperança que em algum momento você SE PERMITA na vida como o faz na escrita.

A.P.H.

Anônimo disse...

Genuíno e tocante. Assim como tudo que você escreve quando SE PERMITE...
Fica a esperança de que em algum momento você SE PERMITA na vida como o faz na escrita.

A.P.H.

Anônimo disse...

Aliando-me ao comentário anterior, isso td me fez lembrar do famoso "Ame e dê vexame", sem medo de ser feliz!!! ;)

Você pode acertar, você pode errar, você só não pode é deixar de viver por medos...

Saudades de vc, garoto!

Um abraço,

Nanda