domingo, 8 de março de 2009

Iludi-vos!

Alguns meses atrás ouvi um acadêmico de Direito dizer que enquanto pudesse iria procrastinar sua formatura, pois tinha medo de ser “jogado” no mercado de trabalho. Covardia? Não me atreveria a rotulá-lo assim. Aristóteles dizia que fugir nem sempre é uma atitude covarde. Pelo contrário. Às vezes é até heróico. É impressionante como alguns colegas enchem a boca para dizer que estudam Direito. Mas ninguém lembra que existe o a.c e d.c? Antes da conclusão e depois da conclusão. Do pedantismo acadêmico transformamo-nos em humildes (ou humilhados?) bacharéis. O casulo da formatura nos proporciona uma metamorfose inversa.

A situação é crônica. Anualmente no Rio Grande do Norte formam-se cerca de 1000 alunos nas 8 faculdades de Direito existentes. Paralelamente - só para citar um exemplo, no último exame da OAB de São Paulo somente 8% dos candidatos foram aprovados. Assustador. E os concursos públicos, hein? Dizia um colega meu que o futuro do Brasil é tornar-se uma grande repartição. A exceção deveria ser o serviço público e predominância da livre iniciativa. Mas eu até entendo, pois a iniciativa privada brasileira é bem privada mesmo.

Todos esses males têm uma origem e refletem-se no seio cultural. Ainda vivemos naquele tempo em que alguns pais silenciosamente manipulam seus filhos para o caminho do Direito ou Medicina (enquanto isso, faltam professores de física, químicae mão-de-obra técnica qualificada). Pensam que isso ainda não ocorre? Conheço umas três pessoas que passaram por isso. Quer um outro exemplo? Basta você ir a uma cidade do interior do Estado e dizer que cursa Direito. Os elogios são quase infinitos. A sociedade tem uma ilusão demasiada sobre o curso. Tenho a impressão que as dificuldades do ensino superior ainda não são de conhecimento público.

Não quero ser rotulado de pessimista, mas as perspectivas do ensino público brasileiro não são as melhores possíveis. O governo federal anunciou a criação de novas faculdades públicas e a contratação de 6.000 professores. Perguntinha inócua: por que primeiramente não reestrutura (profissional e materialmente) as já existentes e em um momento posterior amplia o número de vagas e cursos? Só a título de demonstração, vejamos a biblioteca da UFRN. Os alérgicos a poeira correm risco de morte ao entrarem naquele templo dos fungos. Alguns livros são tão antigos que é capaz de se encontrar alguma obra original por ali. Os livros jurídicos estão totalmente desatualizados, ou seja, inúteis para aquele acervo. Em suma, além do mercado não estar nada favorável para o segmento, os alunos já sofrem decepções desde o período acadêmico. Isso porque não falei das disciplinas sem professores, da burocracia administrativa e otras cositas más.

Embora soframos todas essas dificuldades, tenho certeza que renunciar os sonhos e desacreditar na justiça não é a melhor solução para a angústia. A pressão política no sentido de mudar os planos para o ensino superior é a maior arma que a comunidade acadêmica brasileira tem. Se abdicarmos desse direito, transmitiremos uma procuração para a oficialização do sucateamento universitário.

LUCENA FILHO

7 comentários:

Luiza Emilia disse...

Ano passado, na formatura de odontologia de minha prima Danielle, um professor disse que aquele dia era para ser de extrema felicidade, mas, que ela tinha ido embora quando um formando disse que só iria comemorar a formatura até ali (o culto ecumênico) porque, no outro dia, o da colação, ele deixaria de ser o futuro do Brasil para ser um problema social.
E pode acrescentar mais uma na sua lista. Minha irmã gêmea queria fazer medicina veterinária. Adivinha o que ela fez por "recomendação" de meus pais? Muito bem!

sarah disse...

rapai.....e eu q tava pensando em fazer vest pra direito!

ahahahahah brincaderinha...foi só pra dar um susto

=p

Kylze disse...

Até tu, Brutus? Cuspa no prato que comeu, amigo! ;)

Agora, pq me incentivas a fazer Direito? ~^ Você é uma incognita! Pena que eu não gosto muito de matemática e não teria muita paciência de resolver mEnteQUAÇÃO!

valeria disse...

Humberto, não entendemos você, também pudera nem você se entende pelo visto.

T.a.t.h.i.a.n.a L.u.c.e.n.a disse...

Tenha calma, jurista da titia!!
kkkkkkkkkkkkkkkkkkk
O que seria do mundo jurídico se não fossem os idealistas, os corações positivos e esperançosos?
(SONHA, ALICE!!) rsrs

Juliana disse...

E viva o Agrobusiness ! rsrs
As pessoas nem sabem da existencia desse curso, muito menos da importancia econômica que ele representa. Garanto que, aqui em casa, a alegria teria sido bem maior se eu tivesse passado pro curso de Direito. Fazer o quê? São os conceitos e preconceitos que existem.

Ninie disse...

Eu bem sei como é esse drama!

No meu caso, ainda há uma dúvida, Como será o futuro dos bolsistas do Prouni? Teremos bolsa-escritório?!
rs